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A tecnologia a serviço do engano e do medo

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Recentemente em nossa cidade houve grande rebelião em um dos presídios: os presos queimaram as dependências e houve fuga de alguns deles.

Na manhã daquele dia começaram a circular, nos diversos grupos de whatsapp, uma série de notícias: algumas verdadeiras, obtidas pelos meios de comunicação que incessantemente anunciavam a rebelião, e outras, principalmente gravadas em áudio por pessoas adultas, relatando algumas situações caóticas que estariam ocorrendo na cidade.

Não demorou muito para que alguns áudios fossem amplamente disseminados informando que a rebelião não estava ocorrendo somente em um, mas em três presídios da cidade. Centenas de presos, após a fuga em massa, estariam vindo em comboio até a cidade, armados com machado e facão para arrasar com tudo o que vissem pela frente. Eles estariam parando os veículos na rua, retirando os motoristas à força; já teriam invadido várias empresas, supermercados, shoppings etc., tomando, inclusive, algumas pessoas como reféns. Por fim, ainda havia um alerta: “Pelo amor de Deus, fiquem trancados em suas casas”.

Por se tratar de um pedido de segurança, ao som da voz de uma pessoa adulta, demonstrando grande preocupação com a situação, inclusive mencionando o nome de Deus, quase todos que ouviam tomavam isso como verdade. A mensagem era retransmitida para outros grupos de amigos, do trabalho, da igreja etc., acrescentando sempre algo a mais do tipo: “Veja o que está acontecendo na cidade”, e, com isso, o engodo foi tomando corpo, isto é, as informações incertas, mescladas de medo e suposições, foram se alastrando rapidamente.

Quando as mensagens mentirosas começam a ser repassadas juntamente com as verdadeiras, a instalação do caos é apenas uma questão de tempo. A boa intenção, o medo e o pânico se encarregarão de fazer o restante do trabalho. Nesse caso, as pessoas símplices, de coração puro, são as mais afetadas, sendo fisgadas em suas emoções e, por conseguinte, traídas em sua razão. No afã de ajudar o próximo elas acabam prejudicando, pois são as que mais disseminam as mentiras.

Um comerciante, acreditando na notícia que recebeu, fica amedrontado e fecha as portas de sua loja. Aí ele vai até o vizinho e diz: “Você não vai fechar? Houve uma fuga em massa de presos, centenas deles estão invadindo as lojas”. Imediatamente o segundo comerciante também fecha seu estabelecimento, e a partir daí, em cascata, todos vão fechando suas lojas, sem motivo, sem causa, apenas por medo, por terem dado crédito à mentira. As mães e os pais começam a ligar para as escolas, preocupados com seus filhos, e pouco a pouco tudo vai parando: prefeitura, correios, bancos, escolas; cada um vai se apoiando na atitude do outro.

É inegável que as redes sociais têm ajudado muito com a troca de mensagens e informações entre as pessoas, mas da mesma forma, elas também têm sido usadas para a propagação de informações falsas de todo tipo. Por um lado, elas vieram para facilitar a comunicação entre pessoas e grupo de pessoas, por outro, têm se tornado a melhor ferramenta para disseminar mentiras e falsidades.

Essas mentiras, feitas na maioria das vezes com apelo de ajuda ao próximo, são as mais eficazes e vão desde ajudar a achar uma criança que acabou de ser sequestrada, passando pela doação de cadeiras de rodas ou de sangue para alguém que está à beira da morte. Por trás do anonimato das redes sociais existem muitas pessoas malignas, destruidoras, falsas, querendo enganar simplesmente pelo prazer de ludibriar.

Casos como este, ocorrido em nossa cidade, vêm mostrar que diante dos novos meios de comunicação que nos estão sendo disponibilizados, precisamos criar um código de conduta, ou seja, acreditar duvidando, aprender a checar informações antes de repassá-las, pois o grande poder desse tipo de mentira é materializado quando a mensagem é repassada. Se não agirmos assim, seremos sempre usados por pessoas inescrupulosas como massa de manobra, e nos tornaremos vítimas de todo tipo de situação.

Como Jesus disse: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10:16b). Por isso, confirme a veracidade de qualquer informação antes de tomar qualquer atitude e antes de repassá-la. Se tiver dúvida, não repasse nada que não seja somente para edificar.

 

Flávio Gaspar

Pastor na Igreja em Bauru

Professor e Empresário Contábil

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